Projeto busca doações para custear ingressos de “Medida Provisória” para jovens de Vitória da Conquista

Por - 26 de abril de 2022

"Não tem como não esperar que esses jovens saiam desse filme crentes de suas potências, de quão revolucionário pode ser o acesso à cultura", afirma uma das idealizadoras da ação.

Possibilitar o acesso de jovens e adultos da periferia de Vitória da Conquista ao cinema e à cultura. Esse é o objetivo do projeto “Medida Provisória da Quebrada”, que pretende custear, para esse público, ingressos do filme de Lázaro Ramos, que é uma adaptação da peça “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação. O longa já se consolidou como a segunda maior estreia nacional do ano.

Desde a última segunda-feira, 25, uma campanha vem sendo realizada nas redes sociais com o intuito de arrecadar doações para viabilizar a ação, que deve ocorrer já nesta quarta, 27, antes que a produção saia de cartaz. O valor adquirido também poderá ser usado para pagar gastos como o deslocamento dos jovens até o cinema. Qualquer pessoa pode contribuir através de transferências via PIX pela chave 77991251576.

O projeto é idealizado por Carla Alexsandra Souza, professora de Sociologia e empreendedora, e por Clara Mascena, produtora, ativista social e filósofa. Juntamente com outras mulheres, elas já haviam realizado uma ação parecida, em 2018, que levou jovens da cidade para assistir ao filme “Pantera Negra”, produção da Marvel Studios dirigida por Ryan Coogler.

“A gente viu em ‘Medida Provisória’ a oportunidade de reavivar esse projeto que se iniciou com o ‘Pantera Negra da Quebrada’ e oportunizar aos jovens esse momento cultural, esse momento de reflexão e de mudança de perspectiva no sentido de organização para uma possível resistência”, afirmou Carla, que é graduada em Ciências Sociais pela Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

Segundo a organizadora, “Medida Provisória” traz uma reflexão crítica urgente e necessária em torno da questão étnico-racial em nossa sociedade. “Eu posso dizer, inclusive, que o filme é um chamamento mesmo, para uma reflexão coletiva de como nós podemos chegar longe se agirmos em conjunto e com o mesmo propósito”, acrescentou.

O enredo da obra apresenta aos espectadores um futuro distópico no Brasil, no qual um governo autoritário ordena aos cidadãos afrodescendentes que se mudem para a África, o que gera “caos, protestos e um movimento de resistência que inspira a nação”, conforme descreve a sinopse do longa-metragem.

“Não tem como não esperar que esses jovens saiam desse filme crentes de suas potências, de quão revolucionário pode ser o acesso à cultura, e certos de que eles podem, sim, estar nos cinemas e de que a organização entre pares e aliados é possível e é uma estratégia valorosa e urgente em tempos de tantas mortes pelas mãos do Estado, já que o filme fala sobre a relação entre Estado e sociedade civil”, disse Carla.

Ainda de acordo com ela, a recepção da iniciativa está sendo muito positiva, pois pessoas de dentro e até mesmo fora da cidade tem procurado a ela e a Carla para ajudar ou perguntar como podem contribuir com o projeto. “Mas é claro que nós ficamos inquietas também, porque, na verdade, o Estado que deveria proporcionar esse momento de lazer e de cultura. É um direito constitucional. E o que a gente percebe é justamente o contrário”, ressaltou.

“Sabemos que esse movimento é algo que está estancando um ferimento, mas não está curando nada, porque a transformação deveria ser muito maior, o acesso dos jovens à cultura e à formação crítica deveria ser uma estratégia proposta pelo próprio Estado”, finalizou.

Veja a seguir o trailler de “Medida Provisória”:

*Foto de capa: Divulgação.

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