“A volta às aulas neste momento é um verdadeiro atentado à vida”

Por - 6 de julho de 2021

Dirigentes de sindicatos que representam profissionais da educação de Vitória da Conquista repudiam decisão da Prefeitura que autoriza o retorno às aulas no município na modalidade semipresencial

Entidades sindicais que representam os trabalhadores da educação de Vitória da Conquista se manifestaram contra o decreto da Prefeitura que autoriza o retorno às aulas no município na modalidade semipresencial. A decisão, publicada nesta segunda-feira, 5, gerou revolta nas redes sociais e fez os sindicatos emitirem uma nota conjunta na qual afirmam que “a volta às aulas neste momento é um verdadeiro atentado à vida”.

Assinam o documento o Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (SIMMP), a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (ADUSB), o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (SINPRO), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), além da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). 

“Ainda não temos condições de retomar às aulas presenciais, sendo que não há uma política sistemática de vacinação para a população, os trabalhadores da educação ainda não concluíram as etapas de imunização contra a covid-19, muitos profissionais, sequer receberam a 1ª dose da vacina, os jovens e crianças abaixo dos 18 anos não estão sendo imunizados e o governo não investiu nas adequações sanitárias das escolas”, diz a nota. 

Em entrevista exclusiva concedida ao Conquista Repórter na tarde desta terça-feira, 6, as dirigentes do Simmp e Sinpro, Elenilda Ramos e Silvina Dias, se manifestaram sobre o assunto e disseram ter sido surpreendidas com a decisão da Prefeitura. “Nos pegou de surpresa, justamente num momento em que nós da educação básica particular estávamos em uma assembleia de professores discutindo o não retorno às aulas caso fôssemos convocados após o recesso”, afirmou Dias.

Presidente do Simmp, Elenilda Ramos (à esquerda), e dirigente do Sinpro em Conquista, Silvina Dias (à direita). Reprodução: Instagram.

Já Elenilda disse que a possibilidade de retorno vinha sendo discutida pelo Simmp junto ao atual secretário de Educação, Edgard Larry, mas que nenhuma data para a retomada das aulas havia sido previamente definida com o consentimento do Sindicato. “Em todas as nossas reuniões, quando perguntávamos quando seria esse retorno, a resposta era a mesma: ainda não temos data. Então, somos contrários [ao decreto], não porque a gente não queira o retorno. A gente quer sim, mas neste momento, não consideramos seguro para a vida do professor, do aluno e de todas as demais pessoas envolvidas no processo educacional”, enfatizou.

O decreto publicado pelo Executivo prevê a retomada das atividades presenciais a partir do dia 12 de julho com 50% da capacidade das salas de aula, distanciamento de 1,5 metros entre os alunos e higienização frequente dos ambientes escolares. Caso a taxa de ocupação de leitos de UTI se mantenha acima de 90% por sete dias consecutivos, a ocupação dos estudantes será reduzida para 25% da capacidade das salas.

Nas redes sociais, muitos internautas também criticaram a decisão. “Extremamente irresponsável e precipitada”; “a Prefeitura optou pela política da morte”; “Ao menos distribuam caixões”; “Lastimável tamanha irresponsabilidade coletiva”. Esses foram alguns comentários deixados por conquistenses em uma publicação da Prefeitura no Instagram com o anúncio do retorno.

Após a repercussão negativa do decreto, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) publicou uma nota na qual afirma que o retorno das aulas na rede municipal só acontecerá, efetivamente, na primeira semana de agosto, de forma escalonada, seguindo o que estabelece o plano de retomada, que até o momento não foi divulgado pela Prefeitura. As aulas na rede privada de ensino, entretanto, devem voltar a acontecer, de fato, a partir da próxima segunda-feira, 12, na modalidade semipresencial.

Conforme denúncia publicada pelo Conquista Repórter no dia 15 de junho, algumas instituições privadas do município já vinham burlando decretos e realizando atividades de forma presencial no período anterior ao recesso de São João. Com a decisão divulgada na última segunda, 5, pela Prefeitura, elas deixarão de atuar na clandestinidade, já que agora possuem respaldo legal publicizado pelo Executivo para receber alunos.

Segundo Elenilda Ramos, houve uma pressão muito grande por parte das escolas particulares pelo retorno das aulas, o que fez com que a Prefeitura acabasse atendendo a interesses privados, em detrimento à vida das pessoas. Mas Silvina ressaltou que a maioria dos estabelecimentos de ensino particular fica em bairros periféricos, mais afastados da zona nobre da cidade, e muitos, de acordo com a dirigente do Sinpro, não têm sequer condições ou estrutura adequada para obedecer aos protocolos de segurança contra a covid-19.

“A gente fica sem entender como a Prefeitura é capaz de colocar tanta gente em risco. Não é justo, não é viável nem responsável. Então, não há empatia. Com certeza a conta virá. A prefeita vai assumir essa culpa? Vai ser responsabilizada?”, concluiu Ramos. Silvina acrescentou: “nós cobraremos”.

*Foto de capa: Secom/PMVC 

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