Editorial | Escola Conquista Repórter: quando o jornalismo ganha as ruas com arte, escuta e sensibilidade

Por - 27 de abril de 2026 - Institucional

Em 2026, quando completa cinco anos de existência, o Conquista Repórter lança a ECRJ como um laboratório vivo para jornalistas em formação. Em cada bairro, escutamos ativamente e capacitamos comunicadores locais.

Um grupo de cerca de vinte e cinco pessoas, entre adultos e crianças, posa para uma foto em um pátio coberto. Sete adultos usam camisetas brancas com a sigla colorida ECRJ no peito e crachás no pescoço. No centro, uma menina usa um vestido vermelho vibrante e uma mulher tem cabelos curtos tingidos de vermelho. Ao fundo, o espaço é aberto, com colunas brancas, teto de madeira clara e uma tabela de basquete azul pendurada. Victória Lôbo

Há cinco anos, o Conquista Repórter assumiu o compromisso de fazer um jornalismo de profundidade no Sudoeste da Bahia. Um jornalismo que olhasse para os direitos humanos e para as histórias que a correria do factual costuma deixar para trás. Mas, ao longo dessa jornada, percebemos que para fortalecer a democracia em Vitória da Conquista, contar boas histórias não era suficiente. Era preciso mudar a forma como essas histórias nascem.

Foi com essa inquietação que sonhamos a Escola Conquista Repórter de Jornalismo (ECRJ). E foi no bairro Vila Elisa, periferia da zona Sul do município, durante o nosso primeiro encontro presencial com as moradoras da comunidade, que esse sonho deixou de ser um projeto no papel para se tornar uma realidade pulsante. Colocar a ECRJ na rua é, de longe, o passo mais maduro e ousado da nossa trajetória. Sair da redação e das telas para pisar no território não é apenas um movimento físico, é uma mudança de perspectiva que atua em frentes simultâneas e complementares.

A ECRJ nasce como um laboratório vivo para jornalistas em formação. Antes de irem para o mercado tradicional, esses estudantes encontram na nossa Escola um espaço para aprender e praticar o modelo editorial do Conquista Repórter. É a oportunidade de vivenciar, na prática, um jornalismo de direitos humanos, de escuta e de metodologias inovadoras. Eles aprendem que o bom jornalismo não se faz apenas atrás de um ecrã ou por meio de releases, mas sujando os sapatos de terra e entendendo as dinâmicas do território em que vivemos.

O nosso grande trunfo é unir esses futuros profissionais aos próprios moradores. No Vila Elisa, não fomos fazer apenas uma reportagem. Fomos trocar. Ao capacitar a comunidade com ferramentas de educação midiática, deixamos de ter apenas fontes e passamos a formar uma verdadeira rede capilarizada de comunicadores locais.

É o que chamamos de jornalismo junto. A Escola funciona como uma incubadora de pautas, onde os moradores, agora entendendo-se como agentes ativos da comunicação, trazem narrativas, denúncias e vivências que dificilmente chegariam à imprensa tradicional.

O Conquista Repórter ganha raízes. Levar a Escola para as ruas é um ato de resistência num tempo em que a desinformação adoece o debate público. Mas nós entendemos que as informações falsas não são combatidas apenas com agências de checagem distantes ou publicando a verdade de forma impositiva. O antídoto real é o diálogo.

Ao utilizarmos a sensibilidade e a troca proporcionadas pelo Teatro do Oprimido, criamos espaços seguros. É olho no olho que ajudamos a comunidade a identificar a desinformação que circula no grupo de WhatsApp da família. Desconstruímos mentiras por meio da conversa, da confiança mútua e do pensamento crítico, formando uma barreira de proteção no próprio bairro.

Esse primeiro encontro é apenas o começo. O nosso mapa estratégico prevê raízes a espalharem-se por muitos outros cantos de Conquista. A cada bairro que a ECRJ alcançar, o Conquista Repórter tornar-se-á um veículo mais plural, mais atento e, sobretudo, mais vivo.

O jornalismo que transforma não se faz de cima para baixo. A ECRJ já está na rua. E o Conquista Repórter nunca mais será o mesmo e, a isso, digo: ainda bem.


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