Vídeo | Nerisvaldo Bispo: “quando a chuva forma, a gente já fica com medo”
Por Victória Lôbo - 27 de novembro de 2025 - Histórias à Margem
Morador do Jurema desde 2006, ele relata o medo constante, a ineficácia das limpezas paliativas e a fome imediata de vizinhos que perderam a comida para a lama.
Quando construiu sua barbearia e residência no bairro Jurema, Nerisvaldo tentou se antecipar ao inevitável. Conhecendo o histórico da região onde vive desde 2006, ele fez a obra “prevenindo da água”, elevando o nível do imóvel. Mas no dia 9 de novembro, a engenharia do medo não foi suficiente. A força da enxurrada que desceu pelas avenidas Caracas e Nestor Guimarães ignorou as precauções.
“Entrou 20 centímetros de água. Molhou meus móveis… perdi muitas camisas, mercadoria toda molhada”, contabiliza. A frustração é a de quem fez sua parte, mas foi vencido pela omissão do Estado. “A gente vota, acredita e só se decepciona.”
Para ele, a tragédia anunciada cria uma rotina de terror psicológico. “Quando a chuva forma, a gente já fica com medo”, diz. “A Baixada do Jurema está triste”, define. O relato de Nerisvaldo expõe a fragilidade social extrema que a chuva revela. Logo após a tempestade, a emergência não era apenas por abrigo, mas por nutrição básica.
“Acabou de passar uma mulher me pedindo 1 kg de alimento para comer, porque a água levou, a lama levou”, conta. “Vê que somos seres humanos também, precisamos de ajuda”, clama ele, pedindo que o olhar das autoridades não aconteça “só na eleição”.
Nerisvaldo também critica a qualidade das intervenções públicas feitas no bairro. Segundo ele, as ações são superficiais e não resolvem o problema estrutural da drenagem. A exigência é por uma solução definitiva, “não para hoje, mas para ontem”.
Confira abaixo mais detalhes dessa história na videorreportagem da série Histórias à Margem.
O vídeo faz parte da série ‘Histórias à Margem: Baixada do Jurema’, que conta as histórias de moradores do bairro Jurema, em Vitória da Conquista, onde há décadas as fortes chuvas causam alagamentos e, consequentemente, prejuízos para a população, principalmente pela falta de sistema de drenagem eficaz. Para saber mais sobre a situação, acesse a reportagem aqui.
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