Editorial | Simmp expõe descaso da Prefeitura Municipal com a educação pública

Por - 27 de maio de 2024

O sindicato dos professores do município tem detectado uma série de problemas estruturais nas escolas durante visitas de fiscalização. Apesar das evidências, a gestão Sheila Lemos (UB) se apoia na entrega de obras recentes e esquece das unidades desativadas em territórios quilombolas.

Ausência de ventilação adequada em salas de aula, armazenamento irregular de merenda escolar, corredores estreitos, banheiros em condições precárias e até mesmo falta de sala para professores. São inúmeros os problemas que o Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (Simmp) vem denunciando desde o início deste mês após uma série de visitas de fiscalização a unidades escolares do município.

A chamada ‘Caravana Simmp’ chegou a pautar o noticiário estadual e incomodou a atual gestão municipal, que em resposta, publicou uma matéria no site da Prefeitura sobre os investimentos em infraestrutura na educação municipal. A notícia destacou como exemplos a construção da Escola Municipal Antônia Cavalcanti Silva, cuja obra está em andamento no bairro Cruzeiro, e a Escola Municipal Otaviano Salgado, entregue em fevereiro de 2023 à população do povoado de Campo Formoso. Segundo o governo local, quase 80 unidades foram ampliadas ou reformadas em três anos e meio.

Mas o cenário encontrado em inúmeras outras escolas sobre as quais a gestão não se pronuncia é de descaso e abandono, um reflexo da falta de manutenção e investimento, conforme expôs o sindicato. “A educação está em frangalhos em nosso município, com escolas sucateadas e sem estrutura. Em Conquista, virou rotina construírem extensões, que são improvisos de escola. Para economizar, não se constroem escolas com recurso público, são construídas extensões que não têm condições de receber crianças”, criticou a presidente do Simmp, Greissy Leôncio, em entrevista ao Blog do Sena.

Vale lembrar também que ao tempo em que destaca as obras de reforma e revitalização de instituições como a Escola Municipal Edivanda Maria Teixeira, que teve seu pátio inundado no dia da inauguração, a Prefeitura escolhe não se pronunciar sobre as 14 escolas quilombolas que fechou desde 2019, reduzindo para menos da metade a quantidade de unidades de ensino presente nos mais de 30 quilombos do município. Escolhe não se pronunciar sobre a arrocho salarial dos últimos anos contra a categoria docente. 

E escolhe ainda não se pronunciar sobre a falta de transparência quanto à aplicação dos recursos provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Assim, o que fica cada vez mais claro nessa reta final do mandato da prefeita Sheila Lemos é que o projeto de poder que ela representa está longe de se preocupar, efetivamente, com a garantia de uma educação enquanto meio de emancipação humana, o que requer muito mais do que reformas maquiadas e discursos ardilosos nas redes e em seus canais oficiais. 


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