Artigo | Governo municipal persegue professores e precariza a educação pública
Por Herberson Sonkha* - 30 de maio de 2025 - Educação
Com um ofício enviado para as escolas às vésperas de uma paralisação da categoria docente, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) recorre ao assédio institucional para intimidar os educadores.
Secom/PMVC
O desmonte da educação pública em Vitória da Conquista ganha mais um capítulo. Com um ofício enviado para as escolas às vésperas de uma paralisação da categoria docente, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) recorre ao assédio institucional para intimidar os professores. Assim, demostra mais uma vez que estamos lidando com uma gestão que governa por uma lógica de controle e punição.
O ofício enviado às escolas, ameaçando corte de ponto dos professores mobilizados, não é um mero ato administrativo. Trata-se, na prática, de uma ação coordenada de perseguição política e ataque direto ao Sindicato do Magistério Público Municipal (SIMMP), às suas lideranças e à militância sindical, na tentativa desesperada de sufocar qualquer iniciativa de resistência coletiva.
A prática não é nova. Estamos falando da gestão que, enquanto posa de democrática nas redes sociais, opera internamente segundo os manuais mais rasteiros do autoritarismo institucional. Um governo que adota uma lógica de controle que criminaliza a organização sindical, reprime a luta por direitos e age para desmontar as estruturas coletivas de defesa dos trabalhadores da educação.
No lugar do diálogo, a ameaça. No lugar da negociação, o cerco. No lugar da valorização, a precarização. É assim que essa gestão se relaciona com quem carrega diariamente o peso da educação pública.
Por trás da aparência de modernidade e inovação, o que se implementa na prática é um modelo de gestão que transforma o serviço público em balcão de negócios e o trabalho docente em mercadoria barata. A educação é tratada como custo e os professores como despesas indesejáveis. A meta é clara: esmagar direitos, enxugar salários, ampliar a exploração e submeter o magistério às dinâmicas produtivistas que não reconhecem sequer a dignidade de quem ensina.
A política adotada pela administração municipal tem nome: destruição programada dos serviços públicos. Uma prática que se alimenta do rebaixamento salarial, do assédio moral institucionalizado e da vigilância constante sobre cada movimento dos trabalhadores. E, quando a resistência se ergue, o governo responde com o que sabe fazer: perseguição, corte de ponto, criminalização da luta.
Se há alguém que age à margem da legalidade, não são os trabalhadores em luta. É a própria gestão municipal que insiste em ignorar leis, atropelar o Estatuto do Magistério, desprezar dispositivos que garantem o direito à mobilização e atacar, de forma sistemática, o sindicato da categoria.
As consequências são brutais e escancaram o projeto em curso. Adoecimento generalizado da categoria, sobrecarga de trabalho, destruição dos vínculos profissionais, aumento da evasão docente, desmotivação, desgaste físico, emocional e psicológico. Um quadro que transforma escolas em ambientes de sofrimento permanente e que compromete diretamente a qualidade do ensino ofertado à população.
Diante desse cenário, não resta alternativa senão resistir. A categoria tem a responsabilidade histórica de responder à altura, com unidade, firmeza e mobilização. Por isso, o SIMMP convoca todos os professores e professoras a estarem presentes na próxima segunda-feira, 2 de junho, às 9h, em frente a SMED, para deixar claro que nenhuma tentativa de intimidação ficará sem resposta.
O recado precisa ser direto: não aceitamos assédio ou perseguição, não aceitaremos o desmonte dos nossos direitos.
*Herberson Sonkha é poeta, compositor, educador, editor do Blog do Sonkha, colunista do Conquista Repórter e militante negro comunista em defesa da cultura popular e da justiça social.
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