Estudantes da Ufba de Conquista protestam após intoxicação no Restaurante Universitário

Por - 20 de maio de 2026 - Educação

Nesta terça-feira, 19, a manifestação teve início às 7h, com o fechamento dos portões, e se encerrou às 17h depois de uma passeata pela Avenida Olívia Flores.

Grupo de estudantes protesta em frente à entrada da Universidade Federal da Bahia, Campus Anísio Teixeira. No centro, várias pessoas seguram uma faixa bege com a frase “FOME TAMBÉM REPROVA”. Outros cartazes dizem: “Fome também reprova”, “RU fechado = estudantes prejudicados”, “Passei na Federal para passar fome”, “Promoção RU dos sonhos R$ não tem” e “Enquanto a economia, estudantes com fome”. Há uma bandeira do Brasil atrás da faixa principal. Os estudantes usam roupas casuais e estão reunidos sobre uma faixa de pedestres. Ao fundo aparece a fachada da universidade. Cristian Walter

Nesta terça-feira, 19, estudantes do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (IMS/Ufba), campus de Vitória da Conquista, realizaram uma mobilização em busca de melhorias para o Restaurante Universitário, após a interdição da cozinha responsável pelo fornecimento da alimentação. A manifestação teve início às 7h, com o fechamento dos portões, e se encerrou às 17h depois de uma passeata pela Avenida Olívia Flores.

O estabelecimento, localizado no Bem-Querer, foi interditado pela Vigilância Sanitária por falta de alvará sanitário e outras irregularidades. Na ocasião, cerca de 90 alunos apresentaram sintomas de intoxicação alimentar. O estudante do curso de Farmácia, Rafael Menezes, foi uma dessas pessoas que passou mal após comer no restaurante, por isso, fez questão de participar da mobilização.

“Estamos aqui buscando respostas, tanto do campus de Conquista, quanto da sede que fica em Salvador. Espero que essa mobilização nos dê mais segurança e respaldo, porque o RU está parado. Tem muitos estudantes que chegam aqui às sete da manhã e só saem às sete da noite, então, precisamos garantir, pelo menos, uma refeição diária”, disse o discente.

Grupo de estudantes protesta em um canteiro ao lado de uma avenida, segurando cartazes e uma faixa marrom com a palavra “FOME” em letras brancas. Um dos cartazes diz: “RU também distribui dignidade e permanência”. Os estudantes usam roupas casuais e mochilas. Ao fundo há um coqueiro alto, postes, semáforos e árvores. A cena acontece no fim da tarde, com luz natural e céu claro.
Estudantes da Ufba seguiram em passeata pela Olívia Flores reivindicando soluções após a interdição do Restaurante Universitário no início do mês. Foto: Cristian Walter.

Por volta das 14h, os estudantes se reuniram em frente aos portões fechados da Ufba e seguiram pela Avenida Olívia Flores com cartazes, apitos, leques, bandeiras e utensílios de cozinha como panelas e colheres. De acordo com a discente do sétimo semestre e membro do Centro Acadêmico de Biotecnologia, Marina Barreto, o protesto não teve a adesão estudantil esperada, mas, ainda assim, cumpriu o propósito de mostrar a indignação diante do descaso com a alimentação.

“É triste que a gente não tenha a participação esperada, mas estamos aqui por um RU de verdade. Porque o que temos é a comida sendo feita em outro lugar e trazida para cá, o que pode causar incidentes como o que ocorreu semanas atrás”, destacou Marina.

Discente do sexto semestre do curso de Nutrição, Patrício Souza também participou do ato por entender que alimentação é um direito. “A gente tem que lutar por isso porque é uma forma de manter as pessoas dentro da universidade. Os estudantes precisam estar saudáveis para frequentar aulas, fazer pesquisa, extensão e levar tudo o que é produzido aqui para fora.”

Durante a passeata, os manifestantes foram surpreendidos por um transeunte, que repreendeu o uso da palavra “fome” nos cartazes. “A gente entende que as pessoas não estão informadas sobre os problemas das universidades. Nossa luta é pela oportunidade de sermos ouvidos e de termos nossas demandas básicas atendidas, como é o caso da alimentação”, ressaltou a presidente do Centro Acadêmico de Biotecnologia, Gabriela Amaral.

Agente de costas usa colete roxo com a inscrição "VIGILÂNCIA SANITÁRIA" em letras brancas e rede de proteção no cabelo enquanto inspeciona o interior de uma geladeira industrial de metal. Na porta aberta do equipamento, estão colados dois avisos em papel sulfite com os textos: "AO COLOCAR ALIMENTOS MANIPULADOS NA GELADEIRA OU FREEZER, ETIQUETAR COM AS DATAS CORRETAS" e "ETIQUETAR: CARNES, VINAGRETE, MORTADELA, QUEIJOS, SUCOS, TUDO". Ao fundo, à direita, observa-se uma estante aramada preta vazia contra uma parede clara.
No dia 6 de maio, Vigilância Sanitária notificou cozinha por falta de alvará e de condições adequadas para a produção, armazenamento e transporte de alimentos. Foto: Secom/PMVC.

Entenda o caso

A interdição da cozinha industrial no Bem-Querer aconteceu no dia 6 de maio, após estudantes que almoçaram no RU passarem mal e relatarem os mesmos sintomas. Ao Conquista Repórter, os alunos contaram que sofreram com diarreia, dor abdominal, mal estar e náusea durante a noite do dia 5. Em postos de saúde, discentes receberam o diagnóstico de infecção intestinal.

Durante a fiscalização, a Vigilância Sanitária constatou condições inadequadas para a produção, armazenamento e transporte de alimentos, além de utensílios desgastados. Com a interdição, a cozinha só poderá ser reaberta quando os representantes da empresa terceirizada regularizarem a situação com o órgão de saúde.

O serviço é prestado pela empresa All Alimentos Ltda, segundo nota da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil da Ufba. No documento, datado de 18 de maio, a entidade afirmou que foi notificada pela Vigilância Sanitária sobre as irregularidades e que, após a suspensão do fornecimento de refeições, “optou-se pela concessão de auxílio financeiro no valor de R$480,00 para os estudantes cadastrados na COAE e beneficiários do serviço de Restaurante Universitário.”

*Matéria publicada originalmente no site Avoador.

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