Experimentação e profissionalismo marcam produção do filme Seresta

Por - 25 de março de 2022

Resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), o média-metragem eleva o nível das produções cinematográficas desenvolvidas na universidade.

“Um filme que nos fará rir e chorar”, explica o professor Rogério Luiz, do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), sobre Seresta. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de quatro estudantes da universidade, o média-metragem, dirigido por Duba Rodrigues, pretende dar visibilidade a artistas da região Sudoeste da Bahia, além de destacar a realidade social e histórica de Vitória da Conquista.

A história de Dona Anália, seu marido e seis filhos é contada numa trama divertida e emocionante. De repente, a matriarca da família não para de dançar e todos ao seu redor têm que lidar com a “terrível situação que a acometeu”, como diz o breve resumo do filme, que foi gravado em um set profissional e, atualmente, está em fase de pós-produção.

Seresta é uma obra de ficção, mas após escrever o roteiro, o diretor percebeu que havia semelhanças entre o núcleo familiar que integra a trama e a sua própria família paterna. Em uma publicação no Instagram, Duba revelou que sua avó é a grande inspiração para o média-metragem. “Acho que isso é uma surpresa pra 90% da família também, que não sabe que vai ser personagem na história”, escreveu.

Quando decidiu gravar o filme em um set profissional, Duba lembrou que o cinema é uma arte coletiva, assim como pensam os professores Adriana Amorim e Rogério Luiz. Durante o processo de construção da obra cinematográfica, que contou com muitos colaboradores, experimentação, inovação e arte se tornaram algumas das características mais marcantes de Seresta.

Paloma Oliveira atuou como diretora de fotografia na produção do filme. Ela é uma das quatro pessoas que têm o média-metragem como TCC, além de Duba (diretor e roteirista), Dâmaris Cainã e Laura Cortes (diretoras de arte). “Me senti feliz em poder atuar através do que pensei para luzes, enquadramentos, ângulos, sendo capaz de passar pelos desafios que surgiam, compartilhando isso com outras mulheres”, explicou, ao ressaltar que a direção de fotografia, comumente, é liderada por homens em sets.

Um trabalho experimental em um set profissional

Ajustes técnicos no set de filmagem do filme Seresta. Foto: Rebeca Reis

“Quando decidi tornar Seresta meu TCC, decidi também que traria com ele uma estrutura à qual não somos muito expostos: a de um set profissional”, explica Duba. O trabalho de conclusão coletivo é permitido pelo regimento do curso de Cinema e Audiovisual da Uesb.

Para o professor Rogério Luiz, Seresta é o “ponto de culminância da trajetória de várias pessoas ao mesmo tempo”. Mesmo sendo uma obra experimental, o filme permitiu o encontro entre artistas experientes e estreantes. Além disso, o senso de coletividade também se fez presente para garantir o orçamento da gravação, que conta com a busca diária de apoio através de uma campanha de financiamento.

Atuam como protagonistas da história a professora Adriana Amorim (Anália) e o músico Evandro Correia (Erivaldo). Atriz há mais de 30 anos, principalmente em palcos de teatros, Adriana afirma que “essa experiência é uma das mais marcantes da minha vida”, já que ela ainda não tinha participado de um filme, em um set, apesar de ter acompanhado outras produções de forma mais distanciada.

A intérprete de Anália conta que o cinema é muito diferente do teatro, seu palco natural. Estar no set de filmagens a fez recriar e recordar, em sua cabeça, as aulas no curso de Cinema e Audiovisual da Uesb, já que ela ensina sobre roteiros. “Produzir cinema para ensinar cinema produzindo”, diz a professora.

Já para Evandro, Seresta foi “um momento de alegria, de aprender a lidar com coisas que estão em mim, que até então não tinha sentido o prazer da vivência”. De acordo com Duba, além de estreante como ator, o músico, ao lado de Márcio Greyck, também assina a trilha sonora.

“Somente é esperado aquilo que é lembrado”

Evandro Correia atua como Erivaldo. Foto: Rebeca Reis

Além dos atores citados acima, que foram convidados por Duba, outras pessoas compõem o casting do filme. E essa seleção foi feita através de uma página no Instagram (@serestaofilme). “Juntando pessoas experientes com estudantes ansiosos para trabalhar, montamos uma equipe cheia de energia, responsabilidade e vontade de fazer – que é o segredo pra qualquer boa equipe”, conta o diretor.

No perfil, além de apresentar o média-metragem ao público, mostrando os atores e personagens, também é compartilhado o processo de produção. “Por que as pessoas anseiam tanto para ver certas grandes produções?”, questiona o diretor ao explicar o porquê da criação do perfil na rede social.

“Um padrão que percebi sobre filmes que geram burburinho, é a forma como os realizadores trabalham o momento anterior da estreia”, afirma. Para ele, o perfil serve tanto para mobilizar a expectativa do público quanto para apresentar o que é a produção de um filme, fazendo com que valorizem o resultado final.

Segundo Adriana Amorim, o Instagram ainda gerou uma outra percepção do curso para os alunos recém-chegados. “A página foi muito legal para as pessoas acompanharem, principalmente os calouros”. De acordo com a professora, isso mostra a esses estudantes que é importante participar, estudar e que, sim, o cinema é coletivo e que é possível fazer uma obra de ficção em um TCC.

Um filme divertido e profundo

Cinema se faz com trabalho coletivo. Foto: Rebeca Reis

Para Rogério, Seresta é uma novidade que resulta do processo de formação desenvolvido nos 10 anos de curso. “O curso de Cinema não só promove esse espaço de debate, discussão e aprendizado em torno do cinema, mas também propicia o encontro de pessoas que estão com um objetivo em comum”, conta.

Juntos, os estudantes aprendem a fazer cinema e, por isso, o professor espera que a graduação cresça e colha mais frutos, já que “ela extrapola os limites da universidade, por ter outros espaços de formação”. Sobre Seresta, ele afirma que a gente pode esperar muito do filme, visto que é humano e “se resolve narrativamente”.

Segundo Duba Rodrigues, o média-metragem é muito divertido, mesmo tratando de temas profundos. “Deu muito trabalho, mas está gerando experiência em dezenas de estudantes da universidade pública, que estão trabalhando em nível profissional de divisão de tarefas”, afirma.

Seresta “é diferente também, pode até gerar certo incômodo, mas é carregado de sentimentos bons, e acho que todo mundo está precisando disso”, conclui a diretora de fotografia, Paloma. Ainda não há previsão de estreia da obra, mas é possível acompanhar as próximas novidades sobre o filme em sua página no Instagram.

*Foto de capa: Rebeca Reis

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