Projeto propõe democratização do acervo de Régis Pacheco no interior da Bahia
Por Da Redação - 15 de junho de 2026 - Cultura
Embora Vitória da Conquista conte com o Memorial Régis Pacheco, grande parte das obras estão concentradas em Salvador, no Centro Memória da Bahia.
No Centro de Vitória da Conquista, a Casa Memorial Régis Pacheco é um espaço histórico tombado que reúne a memória política do município. Apesar de resguardar obras que contam a trajetória do ex-prefeito da cidade e médico brasileiro, grande parte do acervo iconográfico do político, composto por mais de 200 itens, está concentrado na capital do estado, Salvador, no Centro de Memória da Bahia, instituição estadual vinculada à Fundação Pedro Calmon.
Diante desse contexto, o projeto “Memória Baiana em Movimento”, coordenado pela pesquisadora e cientista social Bárbara Muniz, buscou identificar quais as estratégias possíveis de interiorização e acessibilidade do acervo fotográfico de Régis Pacheco. A iniciativa ainda questiona o porquê de os registros, entre eles fotografias em Jequié e Vitória da Conquista nos anos 1950, estarem restritos à capital e não compartilhados com o interior do estado.
Durante a pesquisa, foi identificado que o memorial, instalado na antiga casa do político, possui barreiras estruturais que impedem a garantia de preservação das peças originais, como a falta de climatização apropriada e de armazenamento adequado. “Essas limitações impedem a transferência e a guarda segura do acervo original, mas não encerram todas as possibilidades de ampliação do seu acesso”, explica Bárbara.
O projeto então propõe estratégias alternativas para a democratização do acervo, compreendendo que as imagens que recontam a história do interior do estado devem estar acessíveis para o público da região e não somente restritas à capital. Uma das ações sugeridas é o compartilhamento via reproduções digitais que cumpram as normas técnicas estabelecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pelo Conselho Nacional de Arquivos.
“Dessa forma, é possível garantir a confiabilidade das fotografias reproduzidas para uso expositivo, como material didático para o ensino básico ou, ainda, como fonte segura para novos trabalhos de pesquisadores do interior do estado”, enfatiza Bárbara.
Outra estratégia apresentada pelo projeto é a adequação do acervo para garantir o acesso às pessoas com deficiência, conforme prevê o Estatuto de Museus (Lei nº 11.904/2009) e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015).
“Existem dimensões da acessibilidade, sobretudo em seu aspecto comunicacional e atitudinal, que podem estimular com que pessoas autistas, com deficiências visuais, auditivas, intelectuais, entre outras condições, possam conhecer, circular e participar de espaços culturais e formativos. Isso é especialmente relevante para democratizar o acesso aos espaços de educação e cultura que compõem a esfera pública”, relata a pesquisadora.
O projeto “Memória Baiana em Movimento” foi aprovado em edital da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio do Governo do Estado da Bahia, Secretaria Estadual de Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.
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