Artistas locais seguem mobilizados em defesa do Teatro Carlos Jehovah

Por - 25 de outubro de 2021

O tema foi debatido no 1º episódio do podcast Geleia Geral, que contou com a participação do secretário de Cultura, Xangai; Nas redes sociais, o Grupo Teatral Apodío mobilizou os artistas a favor da valorização do espaço

A Prefeitura de Vitória da Conquista já afirmou por meio de nota que não há pretensão real de demolir o espaço que abriga o Mercado Municipal de Arte e o Teatro Carlos Jehovah, localizado na Praça da Bandeira, no Centro da terceira maior cidade da Bahia. Entretanto, a classe artística ainda cobra respostas sobre um grande impasse: sem reforma, o teatro não pode ser utilizado e, quanto a isso, a gestão municipal não se posicionou.

No último domingo, 24, o Grupo Teatral Apodío publicou em suas redes sociais um chamado com o intuito de mobilizar os artistas locais a favor da manutenção e valorização do Carlos Jehovah. “Pensando na importância desse teatro pro setor cultural de Vitória da Conquista, estamos organizando um movimento de resistência”. Dessa forma, a categoria se une novamente em prol do futuro do local.

“Demolindo ou não, o fato é que não existe política alguma de revitalização, reestruturação ou mesmo ocupação. Neste entendimento, abandono é o mesmo que demolir. Sucatear para depois entregar à iniciativa privada”. O comentário, feito por um internauta na publicação do Grupo Apodío, abordou o mesmo assunto que entrou em pauta no primeiro episódio do podcast Geleia Geral, da Revista Gambiarra.

Durante o programa, o secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino, conhecido como Xangai, e a artista e professora do curso de Cinema da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Adriana Amorim, falaram sobre a possível demolição do Carlos Jehovah.

Segundo Xangai, a ação não foi discutida na secretaria, mas a prefeita, Sheila Lemos, tem dado liberdade a ele para gerir os recursos da pasta. Ainda de acordo com o cantor, a decisão é tomada através da Secretaria Municipal de Administração (Semad), da qual não está à frente. O secretário ainda admitiu que o espaço necessita ser restaurado, visto que está impedido de receber público. Para ele, todo o local, que abriga ainda o Mercado Municipal de Arte, deveria se tornar um grande teatro.

Já Amorim questionou, durante o episódio do podcast, se as pessoas esquecem que os lugares têm memória, já que as histórias de muitos artistas se entrelaçam com a do Teatro Carlos Jehovah. De acordo com ela, o município deveria ter grandes e pequenos teatros em todas as regiões, mas isso não retira a importância desse primeiro espaço, que, se for demolido, mesmo que outro leve o mesmo nome, não terá o mesmo peso histórico.

De onde vem a polêmica?

No dia 18 deste mês, o Conquista Repórter publicou uma matéria que explica a polêmica sobre a possível demolição do Teatro Carlos Jehovah. Após a repercussão entre a categoria artística, o vereador Andreson Ribeiro (PCdoB) protocolou um Projeto de Lei, que prevê a transformação do teatro e do Mercado Municipal de Arte em patrimônio histórico municipal.

A discussão começou no programa Up Notícias, da Rádio Up, quando foi noticiado o rumor de que os locais seriam demolidos a fim de se tornarem um shopping popular, e ganhou destaque entre os artistas locais, principalmente após o manifesto publicado pelo Grupo Teatral Apodío em sua página no Instagram.

Na publicação, os artistas ressaltam a importância do teatro-arena para a categoria e chamam a classe para a luta. Para Adriana Amorim, professora do curso de Cinema da Uesb, o Apodío realizou e continua realizando um ato de bravura, ao unir a classe em prol da luta pela sua própria história.

Foto de capa: PMVC

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