Agilidade na votação e denúncias de propaganda irregular marcam 2º turno das eleições em Conquista

Por - 30 de outubro de 2022

O Conquista Repórter visitou sete escolas localizadas na periferia do município. Leitores informaram que foram distribuídos santinhos de ACM Neto (UB) associados à imagem do candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que configura crime eleitoral.

Pátios esvaziados, filas curtas e corredores silenciosos. Diferente do cenário observado nos colégios eleitorais de Vitória da Conquista no 1º turno das eleições 2022, neste domingo, 30, os eleitores não tiveram que enfrentar longas filas para chegar até as urnas. O Conquista Repórter visitou sete escolas localizadas na periferia do município, nos bairros Cruzeiro, Petrópolis, Panorama, Santa Cecília, Vila América, Alto Maron e Urbis VI, onde, de forma geral, houve pouca movimentação nas seções.

“No 1º turno, eu enfrentei uma fila enorme para votar. Cheguei aqui 9h e saí 13h. Hoje, eu acabei de chegar e já tô saindo. Foi muito rápido”, disse Cláudia Gomes, moradora do bairro Nova Cidade. Essa também foi a impressão de John Carvalho, que fez o caminho de casa até a Escola Municipal Lycia Pedral, no Loteamento Parque Santa Cecília. “Encontrei as seções bem acessíveis, não teve muita lotação”, afirmou o munícipe.

Segundo a coordenação da Escola Municipal Maria Santana, no Conveima 1, o movimento de eleitores foi maior durante a abertura dos portões, às 8h. Além disso, ainda de acordo com coordenadores de outras seções, as filas esvaziaram mais rápido, uma vez que os eleitores deviam depositar votos para apenas dois cargos neste segundo turno: presidente e governador.

No bairro Urbis VI, na Escola Municipal Helena Cristália Ferreira, os eleitores também optaram por votar mais cedo. O mesmo aconteceu na Creche Municipal de Educação Infantil Vila América. De acordo com a coordenadora da instituição, Arges Kyvia, em comparação ao 1º turno, a votação deste domingo, 30, foi mais rápida, principalmente, em razão do menor número de candidatos na disputa. Por isso, não é possível atribuir o esvaziamento dos colégios ao aumento da quantidade de abstenções.

Denúncias de eleitores

Durante a manhã de votação, outra diferença com relação ao 1º turno foi a presença de denúncias de propaganda eleitoral irregular. Leitores do Conquista Repórter informaram, via mensagem direta no Instagram, que foram distribuídos santinhos de ACM Neto (UB), candidato ao governo da Bahia, associados a imagem do candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa prática configura crime eleitoral, já que ACM e Lula não fazem parte da mesma coligação

De acordo com o Jornal a Tarde, em todo o estado foram apresentadas inúmeras denúncias e pedidos de busca e apreensão do material de propaganda eleitoral com a fotografia dos candidatos. O principal questionamento é que não há reconhecimento de autoria dos materiais com CNPJ ou CPF.

Outra intercorrência que chamou atenção dos leitores foi uma discussão entre fiscais do PT e do União Brasil, no Colégio Estadual Heleusa Câmara. Conforme apuramos, o embate teve início depois que o fiscal do UB pediu para o petista se retirar de uma seção. Segundo o fiscal do Partido dos Trabalhadores, ele foi removido do local porque estava usando uma camisa vermelha. Já a versão do fiscal do União Brasil diz que o representante petista estava fazendo boca de urna.

Foto: Conquista Repórter.

A moradora do bairro Boa Vista, Isadora Santana Santos, também relatou ter passado por um constrangimento durante a votação. Ao tentar entrar na cabine de urna com sua avó, que tem limitações para se locomover e precisa de ajuda para votar, um mesário as repreendeu por estar usando um adesivo do PT. “Ele ficou fazendo cara feia para mim”, contou.

Divisão de votos em bairros da cidade

No 1° turno, todas as zonas eleitorais de Vitória da Conquista deram vitória ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foram a periferia e a zona rural do município as regiões onde o candidato obteve votação mais expressiva, em comparação às áreas mais centrais da cidade. Essa conjuntura tende a se repetir no 2° turno, apesar da divisão entre apoiadores do ex-presidente e do atual chefe do Poder Executivo Nacional ainda ser bastante evidente nos mais diferentes bairros da cidade.

O policial militar Romay Santos Freire votou durante a manhã, na Escola Municipal Professora Fidelcina Carvalho Santos, localizada no bairro Urbis VI. Apesar de ter escolhido Bolsonaro (PL) como candidato nos dois turnos, ele contou que sua esposa, por outro lado, é eleitora de Lula  “A democracia está aí pra todo mundo”, disse.  

O operador de caldeira industrial, Sângelo Clesio Neri, que mora no Cruzeiro, contou que votou em Simone Tebet (MDB) no 1º turno, mas decidiu se posicionar a favor de Bolsonaro neste domingo, 30,  pois não gostaria de ver um retorno do PT à Presidência da República. Segundo ele, nem mesmo o fato de Tebet ter apoiado Lula no 2º turno o fez sequer cogitar dar uma chance ao ex-presidente. 

Enquanto para alguns eleitores de Bolsonaro o antipetismo é o principal motivo que os levam a votar nele, para outros, é a defesa que o candidato do PL faz dos “valores e princípios cristãos”. É o caso do pastor Jefferson Santos, que mora no bairro Primavera. “Eu votei em Bolsonaro não por uma questão de ser bolsonarista, mas sim porque ele representa pra mim o que mais se aproxima dos meus valores, dos meus princípios, daquilo que eu acredito e daquilo que eu defendo”, afirmou.

Entre os eleitores da periferia que votam em Lula, um sentimento comum é o desejo de reviver pelo menos um pouco do que a gestão do petista representou nos anos em que ele esteve no poder. “Eu quero que o mundo volte a ser como era antes. Os preços das coisas estão todos caros”, disse Alana Carvalho Santos, moradora do Vila Elisa. 

O mesmo pensa a eleitora Tânia Maria Batista, que reside no bairro Alto Maron. “Lula é uma pessoa boa, ele faz mais pelos pobres, e Bolsonaro trabalha mais pelos ricos. E pra mim isso não dá”, opinou. Já para o estudante de Direito, Jeferson Silva, o voto deste segundo turno “é um voto de esperança, com a finalidade de ver nossas instituições democráticas mais fortes”.

A auxiliar administrativa Lucineia Oliveira Silva, por sua vez, é enfática: “pra mim, só tem uma palavra: chega de Bolsonaro. Pode ter sido bom para os ricos. Mas foi uma verdadeira tragédia para o Brasil”.

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