Até quando? Sashira Camilly não é apenas mais um número
Por Karina Costa e Victória Lôbo - 16 de setembro de 2021 - Direitos Humanos
Assim como a jovem estudante, cujo assassinato causou revolta e angústia entre muitos conquistenses nesta quinta, 16, cerca de 1.200 mulheres foram vítimas de violência, entre janeiro e agosto deste ano, em Vitória da Conquista, segundo dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)
Até quando seremos apenas um número? Até quando vamos morrer porque a sociedade patriarcal, machista e misógina ensina aos homens que os nossos corpos lhe pertencem?
São essas as perguntas que nós, mulheres, conscientes de que podemos ser as próximas estupradas, esfaqueadas, estranguladas, fazemos o tempo inteiro. Porém, os questionamentos ficam ainda mais latentes quando nos deparamos com mais um caso de feminicídio como o de Sashira Camilly, 19 anos, morta por um único motivo: nasceu mulher. Ela quis ousar ser dona da sua vida e do seu corpo.
Sashira morreu pelas mãos do ex-namorado, que continua acobertado pelo patriarcado, e foi vítima do machismo que diz aos homens que nossas vidas não valem absolutamente nada. A única razão para existirmos, sob o olhar do patriarcado, é a submissão aos maridos, namorados, pais, aos “homens da casa”.
Assim como a jovem estudante, cujo assassinato causou revolta e angústia entre muitos conquistenses nesta quinta, 16, cerca de 1.200 mulheres foram vítimas de violência, entre janeiro e agosto deste ano, em Vitória da Conquista, segundo dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Esses são apenas os dados contabilizados, diante da invisibilização da violência.
Em todo o país, os índices de violência contra a mulher aumentaram de maneira significativa durante a pandemia da covid-19. Mulheres, principalmente as mais pobres, foram obrigadas a viver confinadas com seus agressores.
É desumano. Desolador. Desesperador. Causa revolta, raiva, medo. Não podemos normalizar as manchetes de feminicídio. Não somos e nunca seremos apenas números. Somos mulheres e nossos vidas valem muito. Nossos corpos não são descartáveis.
A luta contra o feminicídio e o machismo deve ser de todos e todas. É crime. É um atentado às nossas vidas. É uma questão que exige união, consciência de classe e de gênero. Precisamos lutar urgentemente por políticas públicas que resguardem as nossas vidas.
O machismo é o principal responsável pelas mortes de Sashiras, Marias, Joanas, Ângelas, Elizas e tantas outras. Chega. Parem de nos matar. Estamos exaustas, mas continuaremos atentas.
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