Vídeo | Dona Maria Ângela: “pensei que minha mãe ia morrer afogada”

Por - 25 de novembro de 2025 - Histórias à Margem

Em 2023, ela deixou a casa própria no bairro Jurema para fugir dos alagamentos frequentes e passou a pagar aluguel em outro lugar. Ao retornar, em 2025, mais uma vez perdeu tudo quando a água invadiu sua residência.

Victória Lôbo

Em 2023, Dona Maria Ângela Oliveira saiu do Jurema após perder tudo, quando uma enchente levou do sofá ao guarda-roupa. Traumatizada e triste, ela deixou o bairro para tentar recomeçar em um lugar seguro. Mas a realidade econômica do Brasil não perdoa. Operada da coluna, sem condições de arcar com o aluguel em outra região, se viu forçada a retornar para a sua casa própria.

No dia 9 de novembro de 2025, o cenário se repete. O momento mais crítico da enchente não foi a perda material, mas o risco à vida. Maria Ângela cuida da mãe, que é cadeirante e fica acamada em um quartinho da casa. Quando a chuva começou a cair forte no domingo, o nível da água subiu rápido, invadindo os cômodos. “Eu senti uma coisa muito horrível. Pensei que minha mãe ia morrer afogada”, relata, ainda abalada.

O resgate teve que ser feito às pressas. A idosa foi retirada da casa alagada e levada para a residência de outra filha, onde permanece abrigada. Na casa de Maria Ângela, a marca na parede mostra que a água subiu alto, transformando o refúgio da família em uma armadilha. Há uma ironia cruel na fala de Dona Maria Ângela. Ela diz que teve “sorte” por não ter conseguido mobiliar a casa inteira novamente após o retorno. “Se eu tivesse comprado [tudo], eu tinha perdido tudo também”, explica.

Mesmo assim, o prejuízo é devastador para quem vive com o orçamento apertado. A água levou a geladeira, o fogão, um guarda-roupa, a cama e o colchão. O que ficou para trás não é apenas a umidade, mas a insalubridade. “É água de esgoto, fedendo. Nós jogamos tanta água sanitária aqui dentro e ainda não está cheirando nada [limpo]”, descreve. O risco de doenças se soma à perda patrimonial.

Diante de mais uma reconstrução forçada, Maria Ângela manda um recado direto à classe política de Vitória da Conquista. Ela lembra que a presença das autoridades nos cargos públicos depende do voto de pessoas como ela. “O apelo que eu faço é as autoridades ajudarem a gente. Quando precisa de um voto, tá na porta da gente pedindo? Se ela [a prefeita] tá lá na prefeitura, é que a gente ajudou. Porque senão, não tava”, desabafa. “Por que numa hora dessa não ajuda nós?”

Confira abaixo mais detalhes dessa história na videorreportagem da série Histórias à Margem.

O vídeo faz parte da série ‘Histórias à Margem: Baixada do Jurema’, que conta as histórias de moradores do bairro Jurema, em Vitória da Conquista, onde há décadas as fortes chuvas causam alagamentos e, consequentemente, prejuízos para a população, principalmente pela falta de sistema de drenagem eficaz. Para saber mais sobre a situação, acesse a reportagem aqui.

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