Editorial | Sem medo de ser feliz, vamos derrotar o fascismo nas urnas

Por - 29 de setembro de 2022

No próximo domingo, 2 de outubro, acontece o primeiro turno das eleições gerais, e o Conquista Repórter reitera a importância do voto consciente em favor da democracia.

Técnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022.

Era 2018, os nervos estavam à flor da pele. E o medo também. O problema é que essa angústia se tornaria permanente nos quatro anos seguintes. Queríamos que este texto fosse um conto ou até uma fábula sobre como o neofascismo é prejudicial à sociedade e à democracia, mas não é. 

Aconteceu e tem acontecido: um fascista foi eleito democraticamente e passou anos mentindo, atacando jornalistas, incentivando o ódio e rasgando a Constituição Federal de 1988. Ele também estimulou a violência contra as mulheres, a população LGBTQIAP+, os negros e os nordestinos; passou boiadas para a destruição do meio ambiente; negou a existência de um vírus que matou mais de 700 mil brasileiros; atrasou a compra das vacinas para combater a pandemia da covid-19; e fez inúmeras outras atrocidades que seriam impossíveis de elencar somente neste texto. 

Voltando a 2018, nós, que hoje somos jornalistas e sócios fundadores do Conquista Repórter, éramos estudantes de jornalismo e estávamos cobrindo a votação do primeiro turno para o Site Avoador. O resultado, naquele ano, deixou um gosto amargo e um abraço que dizia “iremos nos apoiar”. O segundo turno, no entanto, foi ainda mais dolorido, pois soltou o choro que estava engasgado pelo medo do que viria. O choro que viria à tona inúmeras outras vezes nos próximos anos.

Em 2020, durante as eleições municipais, sofremos violência política, que se repetiu após a cobertura de um ato pela vida e contra Bolsonaro, em 2021. Tudo isso traduz o medo que citamos tantas vezes aqui. O medo de, inclusive, usar adereços para votar, mesmo que este seja um ato democrático. A sensação de insegurança que, por vezes, nos faz recorrer à autocensura para não sofrermos ameaças ou ataques. 

Um medo que muitas pessoas já têm revelado nas redes sociais, que também chega através de proibições, de repressões e até mesmo de repreensões. Um debate aflorado que pode virar uma briga. Uma discussão que pode se tornar mais uma morte para a conta do atual presidente. 

Existe uma grande diferença entre uma militância que argumenta e uma que ataca. E é por isso que, para nós, jornalistas, não é difícil ter uma posição nestas eleições presidenciais. Precisamos ter discussões profundas, sobre diversas outras problemáticas, que não se resumem apenas ao direito à vida (fundamental, mas uma questão que já deveria ter sido superada, por ser básica). 

É fundamental falar de políticas públicas para habitação, segurança alimentar para a população, democratização da comunicação, educação básica gratuita e de qualidade, universidades públicas com recursos para ensino, pesquisa e extensão, comércio interno e exterior, saúde pública digna, o retorno das farmácias populares. 

Ter debates profundos sobre o nosso país, sobre a sociedade e sobre o que queremos para o Brasil é uma necessidade real e urgente. Precisamos do debate democrático. Para que possamos discordar e cobrar, precisamos da democracia. Precisamos superar o medo de ser quem somos. E, para que isso aconteça, acreditamos que o nosso voto tem que ser em Lula. É preciso derrotar Bolsonaro nas urnas. Como diz o jingle do ex-presidente, de 1989, quando brilha uma estrela, “cresce a esperança”. Vamos esperançar!

Foto de capa: Agência Brasil.

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