Editorial | Drenagem no Jurema: pressão popular acelera liberação de recursos para obras
Por Da Redação - 23 de março de 2026 - Cidade
Uma semana após a morte de Rosânia Silva Borges, arrastada por uma enxurrada na Avenida Caracas, a prefeita Sheila Lemos anunciou a liberação de verba da Caixa Econômica.
Secom/PMVC
Uma semana após a confirmação da morte de Rosânia Silva Borges, arrastada por uma enxurrada na Avenida Caracas, no bairro Jurema, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (UB), anunciou intervenções no local. Até então, a interdição do trecho e o anúncio de compra de barreiras metálicas (guard rails) para cobrir as bordas do canal haviam sido as únicas medidas tomadas pelo governo municipal.
Finalmente, em vídeo publicado no seu perfil oficial no Instagram, na sexta-feira, 20, a prefeita afirmou que a Caixa Econômica Federal liberou recursos para a realização de uma obra de macrodrenagem na área. Na publicação, ela disse ainda que o edital de licitação para o projeto deve ser publicado no início desta semana.
Segundo reportagem do BATV, serão liberados R$8,8 milhões do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), do governo federal, destinados a obras de macrodrenagem na Avenida Caracas e vias adjacentes. Ao jornal, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana, Jackson Yoshiura, explicou que os trâmites para a liberação dos recursos acontecem desde 2023.
Inicialmente, o governo solicitou a verba para obras na Lagoa das Bateias. Porém, em 2025, solicitou alteração de objeto para que o dinheiro fosse investido no Jurema. Os dados disponíveis no Portal TranfereGov confirmam a alegação do secretário.
Uma autorização do Ministério das Cidades para a alteração dos locais de intervenção foi anexada ao processo no dia 3 de novembro de 2025. Também consta um extrato de termo aditivo em publicação no Diário Oficial da União (DOU), no dia 22 de outubro de 2025, que “altera o objeto para o canal de drenagem de águas pluviais no bairro Jurema.”
Paralelo à troca de acusações entre o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a prefeita Sheila Lemos, sobre de quem é a responsabilidade pela demora no início de obras de drenagem na cidade, a população se questiona quais são as prioridades da gestão municipal e até quando medidas só serão tomadas após tragédias.
Um problema histórico do bairro Jurema, registrado por pesquisas desde a década de 1960, se encaminha para uma “resolução” uma semana após uma mulher, mãe e trabalhadora, morrer por negligência do Poder Público. A verba, antes inviável ou apenas possível a longo prazo, de repente teve a sua autorização acelerada.
A liberação de um recurso tão aguardado em tão pouco tempo nos mostra que as cobranças do povo só são ouvidas quando há gritos de desespero e ameaças à imagem de quem está no poder. Se não fosse a comoção pela morte de Rosânia, os protestos e os clamores por justiça, talvez esse recurso só fosse autorizado daqui a mais 60 anos.
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