Vídeo | Wilson Gonçalves: “se chover de novo, complica tudo”
Por Victória Lôbo - 26 de novembro de 2025 - Histórias à Margem
No dia 9 de novembro, quando a água da chuva invadiu a sua casa no bairro Jurema, ele teve que fugir pela janela com duas crianças. Agora, aguarda o aluguel social.
Victória Lôbo
Ele já vivia de favor e estava de mudança para uma casa recém alugada. No domingo, 9 de novembro, Wilson Gonçalves teve que fugir pela janela com uma criança de 2 anos e outra de 10 quando a água começou a invadir sua residência. Agora, aguarda o aluguel social para se mudar “sem nada”.
Quando a chuva começou, ele pegou o celular e filmou. “Chuvinha boa”, brincou, sem imaginar que, minutos depois, aquela água transformaria sua casa em uma armadilha. A velocidade da inundação no bairro Jurema não deu tempo para planejamentos. A “chuvinha” virou um rio dentro da sala. “Quando eu dei por fé, já começou a entrar… as meninas começaram a desesperar”, conta Wilson.
A cena seguinte é o retrato do desespero de um pai. Com a água subindo rápido e a porta bloqueada, a única saída foi a janela. “Eu pulei a janela aqui, peguei as meninas no colo”. Sua esposa veio logo atrás. A família deixou a casa para trás e salvou apenas as próprias vidas. “O desespero delas me desesperou. A criança deixa a gente desesperado. Mas a gente tem que ser forte nesse momento”, desabafa.
As poucas coisas que sobraram seriam levadas para uma casinha “nas taboas”. A enchente atropelou esse cronograma. “Como é que muda? Sem nada. Aí é complicado”, diz ele, com a resignação de quem perdeu o pouco que acumulou. “Perdi tudo. Por nada não… É assim mesmo.”
Após a água baixar, a batalha continuou. A família passou a noite inteira tentando limpar a lama, trabalhando até as 5 da manhã. Mas a sujeira que a água trouxe é persistente, assim como a incerteza. Wilson relata que equipes do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) estiveram no local, mas a ajuda concreta ainda não chegou. “Prefeitura ficou de dar resposta, mas até agora nada. Pelo que eu vi, eles não vão se manifestar… Estou aguardando.”
A esperança agora reside na promessa de um aluguel social. Sem móveis, sem casa própria e sem o teto emprestado, eles dependem inteiramente da ação do poder público para não ficarem na rua. Enquanto a resposta não vem, Wilson encara uma realidade dolorosa e a possibilidade de novas chuvas. “Se chover de novo, complica tudo novamente. Só que agora não vai ter móvel mais para perder, né?”, afirma.
Confira abaixo mais detalhes dessa história na videorreportagem da série Histórias à Margem.
O vídeo faz parte da série ‘Histórias à Margem: Baixada do Jurema’, que conta as histórias de moradores do bairro Jurema, em Vitória da Conquista, onde há décadas as fortes chuvas causam alagamentos e, consequentemente, prejuízos para a população, principalmente pela falta de sistema de drenagem eficaz. Para saber mais sobre a situação, acesse a reportagem aqui.
IMPORTANTE! Contamos com seu apoio para continuar produzindo jornalismo local de qualidade no interior baiano. Doe para o Conquista Repórter através da chave PIX 77999214805. Os recursos arrecadados são utilizados, principalmente, para custos com manutenção, segurança e hospedagem do site, deslocamento para apurações, entre outras despesas operacionais. Você pode nos ajudar hoje?
Foram doações dos nossos leitores e leitoras, por exemplo, que nos ajudaram a manter o site no ar em 2023, após sofrermos um ataque hacker. Faça parte dessa corrente de solidariedade e contribua para que o nosso trabalho em defesa dos direitos humanos e da democracia no âmbito regional sobreviva e se fortaleça! Clique aqui para saber mais.
