Estudantes da UESB se mobilizam contra o sucateamento das universidades estaduais baianas

Por - 31 de outubro de 2023

No campus de Vitória da Conquista, alunos e alunas paralisaram as atividades. As pautas da mobilização incluem o reajuste das bolsas do Mais Futuro e o repasse de 7% da RLI [Receita Líquida de Impostos] para as UEBA e mais 1% para a permanência estudantil.

Com os portões fechados durante todo o dia nesta última terça-feira, 31, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista, foi espaço para uma paralisação estudantil, aprovada em assembleia geral realizada no dia 25 de outubro. Em frente à entrada principal, alunos e alunas se reuniram para reivindicar pautas como a reforma de laboratórios e da residência universitária, o reajuste nas bolsas de auxílio para permanência estudantil, além do estabelecimento de uma mesa de negociação entre os discentes das UEBA (Universidades Estaduais da Bahia) e o Governo do Estado. As atividades iniciaram às 7h e se estenderam até o período noturno.

Daniel Amorim, estudante de Ciências da Computação e militante da União da Juventude Comunista (UJC), esteve presente na paralisação e apontou a necessidade de lutar contra o sucateamento da universidade. “A UESB vem sofrendo cortes orçamentários, o que resulta no sucateamento de laboratórios, em falta de contratação de profissionais docentes e técnicos, o que acaba destruindo a universidade em sua funcionalidade”, disse.

O discente também destacou a reivindicação pela reformulação do Mais Futuro, programa de assistência estudantil do Governo do Estado, que está sem reajuste nos valores das bolsas há mais de seis anos. “Ele [o Mais Futuro] não atende as demandas e os custos de vida de estudantes que frequentam a universidade, por isso pautamos a reformulação desse mecanismo de assistência”, explicou Daniel.

Lançado em 2017, o Mais Futuro oferece auxílio financeiro mensal no valor de R$300 (perfil básico) ou de R$600 (perfil moradia). A primeira quantia é destinada a universitários que estudam a até 100 quilômetros da sua cidade de origem. Já o segundo recurso é transferido para aqueles que moram em cidades a mais de 100 quilômetros de distância do campus onde estão matriculados.

Para Letícia Rodrigues, estudante de Ciências Sociais, foi necessário realizar a paralisação devido à falta de diálogo do Governo do Estado com o movimento estudantil, os servidores técnicos e os docentes das universidades estaduais baianas. “Os estudantes das UEBA vem buscando através de movimentações e reinvindicações frente à Secretaria de Educação do Estado melhores condições de permanência e de funcionamento da universidade”, ressaltou.

Durante o ato, Zoé Meira, do MUP (Movimento por uma Universidade Popular), fez um apunhado da mobilização histórica do movimento estudantil ao longo dos anos e enfatizou a necessidade de orçamento para diversos setores da universidade. “A gente precisa entender que precisamos de professor, mas também precisamos de sala de aula, de RU, de bolsa. […] A nossa reivindicação histórica não é só [o repasse de] 7% da RLI [Receita Líquida de Impostos], é 7% para as universidades mais 1% para a assistência e permanência estudantil. Porque é nosso direito e é obrigação do Estado nos dar o que nos é devido”.

A programação da paralisação iniciou com o fechamento dos portões e seguiu com a realização de uma aula pública. Durante esse momento, estudantes, professores e representantes de diferentes movimentos sociais realizaram falas ao microfone. Também houve a confecção de cartazes, intervenções artístico-culturais e uma plenária estudantil no fim da tarde para avaliação do ato.

Além das reinvindicações dos estudantes, o movimento desta terça-feira, 31, abrangeu pautas dos servidores técnicos da universidade e dos docentes. Entre elas, estão o reajuste linear do salário base e gratificações específicas, a atualização dos valores dos auxílios transporte e alimentação, e o restabelecimento do programa habitacional para o servidor público (para técnicos). Já os professores pleiteiam a reposição completa das perdas salariais acumuladas nos últimos oito anos, progressão automática na carreira de acordo com o Estatuto do Magistério Superior da Bahia, e outras pautas.

Para conferir a lista completa de reivindicações, acesse aqui.

Encerramento do ato na UESB

No período da noite, por volta das 21h, quando poucos estudantes ainda estavam presentes na UESB, foi identificado um foco de incêndio no campus. Segundo a comissão de mobilização da paralisação, os bombeiros foram acionados e a situação foi controlada, sem deixar feridos.

A comissão também esclareceu, por meio de nota oficial divulgada no Instagram, que “o ato organizado pelo movimento estudantil nada tem a ver com o incidente ocorrido no campus da UESB”. O grupo informou que os discentes estavam na guarita, próximos de um segurança, quando tomaram conhecimento do fogo e buscaram auxiliar na contenção.

Após a saída dos bombeiros, às 22h, os estudantes presentes abriram os portões, que estavam fechados desde às 7h para a realização da paralisação, e encerraram o ato com o auxílio dos guardas da UESB.

“Nosso compromisso é com a mobilização dos estudantes para a garantia de uma universidade pública, popular e de qualidade e, portanto, atacá-la iria contra nossos objetivos”, diz um trecho da nota oficial da comissão. Veja o posicionamento na íntegra aqui.

Fotos da matéria: Felipe Bonfim.

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